Como funciona a colaboração?


Se você trabalha com Open Source, seja como usuário final ou até mesmo como alguém que colabora em fóruns, projetos, ou, por que não, no próprio Kernel do Linux, motivos não faltam para ser colaborativo com a comunidade. Para muitos de nós é uma atividade um tanto quanto comum, porém, algumas pessoas não entendem muito bem o motivo. Hoje, vamos falar sobre a psicologia por trás da colaboração Open Source.

 

Fortalecimento da área

Uma maneira de manter a classe dos profissionais de TI em uma constante crescente é a colaboração. Quando um profissional desenvolve ou estuda algo novo, ele tende a compartilhar este conteúdo com a comunidade. Por quê? Por que não guardar o conhecimento para ele e se destacar dos demais?

A resposta é simples, o mercado evolui rapidamente. Por mais que você tenha descoberto algo inovador, ele rapidamente o deixará de ser. Porém, se você compartilhar essa sua pequena descoberta, em breve outro alguém contribuirá com o crescimento da sua descoberta. Isso, amplificará o potencial do seu trabalho e ajudará outros profissionais, que por fim, acabará repercutindo a você.

 

Status

Compartilhar conhecimento nos da uma posição de status diferenciado. Embora em um ambiente comum de compartilhamento nós sejamos capazes de assumir tanto o papel de consumidor quanto de produtor de conhecimento, o papel de produtor nos dá um status mais bem quisto perante os demais, afinal, estamos ajudando de forma proativa nossos colegas de trabalho e isto é visto como uma recompensa.

Esse status de bem quistos pela comunidade é facilmente explicável pela teoria da estrutura da personalidade definida por Freud, chamada de superego, que é construída pelo ser humano desde a sua infância quando ele recebe estímulos e produz ações. Segundo Freud, o comportamento aceitável para os pais ou para um grupo social é entendido como ego-ideal, uma parte do superego.

 

Esforço Vs Recompensa

Estes motivos ainda não são suficientes para convencê-lo do motivo de trabalharmos fora do nosso trabalho comercial para desenvolver algo sem obrigação para a sociedade? Tem gente que não concorda com Freud, então, vamos falar então sobre uma pesquisa realizada pelo MIT, Universidade de Chicago e pela Universidade Carnegie Mellon.

Cientistas e pesquisadores destas universidades realizaram uma série de pesquisas para entender a relação entre esforço e benefício. A primeira hipótese que eles testaram foi de que quanto maior a recompensa monetária, mais o empregado irá se esforçar para alcançá-la e terá, assim, uma melhor performance no trabalho.

Foram desenvolvidos uma série de testes, mecânicos, de memória, resolução de desafios cognitivos e desafios espaciais.

Para os trabalhos que envolviam esforço mecânico isso se apresentou como esperado. Quanto maior o esforço e maior a recompensa monetária, maior era a performance do empregado/estudante.

Porém, quando os desafios envolviam esforços cognitivos e criativos, a situação não se replicava. Os grandes esforços em busca da maior recompensa financeira geravam péssimas performances. E isso se replicou em várias outras partes do mundo.

A conclusão que os pesquisadores chegaram foi que para este tipo de tarefa a recompensa financeira é insuficiente, pois o dinheiro só é recompensa a partir do momento que você não recebe suficientemente para desempenhar suas funções.

A partir do momento que este tipo de profissional já é bem remunerado, a monetização sai da mesa de negociação. Mas se o profissional já é bem remunerado para fazer o que ele faz, por que ele despenderia tempo para trabalhar em algo que ele não precisa fazer e que não vai ser recompensado monetariamente?

Existem 3 fatores que são capazes de melhorar a performance e a satisfação pessoal: autonomia, excelência pessoal e propósito.

Autonomia: quando o profissional tem autonomia para desenvolver seus próprios projetos dentro da empresa ele se engaja mais com o produto e com a própria empresa. Muitas empresas atualmente, por exemplo, liberam seus funcionários algumas horas por semana para que eles trabalhem no que quiserem lá dentro. Com isso, estas empresas têm melhorado seus próprios fluxos e processos internos, pois os funcionários trabalham para resolver assuntos que costumam diminuir sua própria performance.

Excelência: Aqui é possível explicar o motivo de gastarmos tempo fora do nosso expediente para ajudarmos em outras causas. Quando fazemos algo para nos tornamos melhores do que já somos, estamos buscando a excelência, e isso, além de divertido gera satisfação. Pense no Linux, inúmeros profissionais, ocupados com seus próprios empregos, extremamente inteligentes e tecnicamente habilidosos, doam seu tempo pós trabalho para desenvolver algo grandioso e totalmente aberto. É a busca pela excelência, pelo ego-ideal.

Propósito: Quando pessoas trabalham sem propósito elas não se preocupam muito se o produto será suficientemente bom, afinal, elas não fazem o trabalho porque gostam, porque veem um propósito nele, fazem normalmente pelo dinheiro e estão sempre pensando no dia que deixaram de trabalhar com aquilo.

Mas então, qual o seu motivo?

Vimos um pouco da psicologia que está por trás da colaboração Open Source. Vimos motivos profissionais, psicológicos e até exemplificamos com fatores que contribuem para a nossa satisfação pessoal.

Nós da Microsoft temos muito interesse na colaboração com o Open Source, e vemos na simbiose das tecnologias a possibilidade de potencializar nossas ferramentas e empoderar o profissional, seja developer, IT Pro, DevOps, ou qualquer outro tipo. Queremos que você seja livre para escolher e que tenha a tecnologia que mais lhe agrade e que mais funcione para o desenvolvimento da sua solução. Mas agora queremos saber de você, qual o seu motivo para colaborar?


Autor: Microsoft Tech